Superlotação não impede ONG de amparar animais

Por Bárbara Gengo e Iara Aurora

Por trás do Projeto Cel, ONG protetora de animais localizada na zona leste de São Paulo, está Eliete Brognoli, fundadora, presidente da instituição e acima de tudo, apaixonada por animais. Criada oficialmente no ano de 2003, a ONG idealizada por Eliete já existe há mais de 18 anos, segundo a protetora em 1993 ela e o marido deram início aos trabalhos voluntários a favor dos bichinhos desamparados. “Os animais iam para nossa casa, depois para clínicas particulares e a gente tentava ajudar até poder ter nossa estrutura, nosso próprio veterinário, organizar as feiras de adoção, que é o que atualmente fazemos” conta a protetora ao relembrar a história do Cel.

Projeto Cel abriga animais na zona leste de São Paulo

Hoje a ONG abriga cerca de 500 animais, deste total, 70 encontram-se instalados na sede, os demais vivem em sítio emprestado para o projeto e em hotéis pagos pela entidade. “Estou lutando para diminuir esse número no nosso abrigo, porque já está muito alto e os animais que estão nos sítio, os mais velhinhos merecem conforto e qualidade de vida, e com a ONG superlotada é muito difícil”, desabafa Eliete ao revelar as dificuldades enfrentadas pelo projeto.

Mesmo assim, o objetivo de defender os animais não é deixado de lado. Para continuar a ajudar os bichinhos desamparados a entidade adotou uma nova tática. “Se você encontrar um animal e me ligar, eu vou te falar que infelizmente estou com superlotação, mas vou te orientar para que você faça a guarda provisória dele e procure o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) para fazer gratuitamente a castração e a vacinação desse animal. Caso não consiga a castração dessa maneira, a ONG ajudará naquilo que puder” reforça a protetora.

Eliete dá as dicas dos procedimentos necessários para adotar um animal do Projeto Cel.

Além da falta de lugar para os bichinhos, despesas mensais com alimentação, além de gastos com remédios e a manutenção do abrigo estão entre as preocupações da entidade. “Sobrevivemos com donativos, a maioria vem de empresas” justifica Eliete. O Projeto Cel não recebe nenhuma ajuda do governo, em média, cerca de 50 animais são recolhidos pela entidade por mês. Até abril, 350 bichinhos foram doados pela instituição. Durante todo o ano de 2010 ocorreram cerca de 1000 doações.

Em casos como o de Eliete, que dedica sua vida a proteção dos animais sem receber nada em troca, o afeto ao próximo é o grande motivador. Como explica a psicóloga Daniela de Moraes. “O ser humano tem uma necessidade intrínseca de dar e receber afeto, e hoje as relações humanas estão muito desgastadas, as pessoas estão física e emocionalmente distantes umas das outras, estão mais solitárias em seus trabalhos e em suas casas, as relações deixaram de proporcionar segurança e estabilidade, vivemos a época dos “descartáveis” do “fast-food”, e essa necessidade de troca afetiva acaba por se estender aos animais de estimação” conclui Daniela.