Protetores discordam de dados divulgados pelo CCZ

Por Bárbara Gengo e Iara Aurora

Dados divulgados pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de São Paulo, órgão responsável pelo controle de doenças transmitidas por animais e por apreender cães em vias públicas, revelam alta no número de cachorros e gatos domiciliados na capital paulistana. Segundo a instituição, existem cerca de 2,4 milhões de cães e 600 mil gatos com proprietários na cidade, índice superior ao de 2003, quando contabilizados cerca de 1,5 milhão de cachorros e 230 mil gatos com donos no município.  Será que com o aumento de animais domiciliados, o número de bichinhos que vivem nas ruas diminuiu? Não há como saber, o CCZ afirma ter retirado quase 1200 animais das vias públicas em 2010, mas com relação ao número de animais de rua, a instituição não tem com contabilizar.

Pensando na população de bichinhos desabrigados e também para salvaguardar os animais que sofrem maus tratos, diversas entidades protetoras de animais entram em ação. A UIPA (União Internacional Protetora de Animais) é um exemplo disso. Fundada no país em 1985, a instituição localizada no bairro do Canindé, zona norte de São Paulo, trabalha desde então para proteger os animais contra ações de crueldade, abandono e extermínio. Para a Dra. Vanice Orlandi, advogada e presidente da entidade, apesar do levantamento realizado pelo Centro de Zoonoses indicar aumento no número de animais domiciliados, o índice de bichinhos abandonados também cresceu. De acordo com a protetora, o grande número de pet shops disponíveis no mercado e o aumento das feiras de adoção são os principais responsáveis. “O estímulo para uma pessoa adquirir um animal de forma impensada é muito maior do que era antes. Não só porque existem mais pontos de venda, mais pet shops, mas também existem mais feiras de adoção. E as pessoas às vezes adotam no impulso, compram no impulso e aí o abandono é maior” explica a protetora.

O abandono de animais é crime previsto tanto pela Lei Municipal  nº 13.131(de 18 de maio de 2001) quanto pela Lei Federal n° 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais), porém segundo a Dra. Vanice a atual legislação tem sido falha. “As autoridades não cumprem a lei, apenas em casos de condutas muito evidentes como espancamento, lesões corporais e atitudes bem agressivas é que são consideradas como crimes de maus tratos”, ressalta Vanice ao justificar que animais submetidos a confinamento e isolamento contínuo são sim vítimas de maus tratos.

Ouça a explicação da Dra. Vanice Orlandi

Para a psicóloga Daniela de Moraes, quem comete maus tratos contra animais ou sofre de limitações psicológicas, ou de algum tipo de doença mental. “Penso que, em grande parte das vezes seja reflexo de uma educação negligente no que se refere a ensinar o cuidado e respeito com outros seres vivos, onde o animal de estimação quase sempre é visto como um brinquedo sem necessidades próprias” conclui Daniela.