Carnaval sem carnaval: O vai-vém do Carnaval

Assim como no futebol, bastidores e especulações esquentam o mercado de contratações do mundo do samba.

Por Raphael Freitas

No futebol, entre uma temporada e outra, os clubes que não obtiveram um bom desempenho no ano costumam corre atrás de reforços para qualificar seus grupos. Já as equipes que foram bem, procuram bons jogadores para manterem-se no topo. Nesse período, as negociações esquentam o mercado e agitam os bastidores. No carnaval, a situação que antecede o planejamento do ano seguinte se assemelha muito a que acontece no mundo da bola.

Passadas apenas algumas semanas do término do carnaval, as diretorias das escolas de samba já começam a planejar a edição seguinte. O “mercado” esquenta na hora de definir as posições de comando da agremiação. Entre abril e maio, intérpretes, carnavalescos, mestres de bateria, casais de mestre-sala e porta-bandeira figuram no vai-vém.

Diretores das escolas de samba se movimentam nos bastidores para reforçar seu time

Diretores das escolas de samba se movimentam nos bastidores para reforçar seu time

Entre especulações e boatos, as diretorias vão trabalhando nos bastidores do samba e buscam reforçar seus times criativos e de liderança. “Eu nasci no bairro, porém eu era de outra escola, eu era da Gaviões da Fiel, diretor de ala. De tanto um amigo meu, que era diretor de bateria aqui, me convidar, acabei aceitando. Por dois anos ainda fiquei de vir e não vim, até que um ano eu resolvi assumir uma ala aqui. Gostei e aí me identifiquei com a agremiação. Hoje, sou o diretor de harmonia da Acadêmicos do Tatuapé” disse Eduardo de Paula Rodrigues, conhecido como Edu Sambista.

Assim como acontece no futebol também, a diretriz das movimentações das diretorias no objetivo de contratar é baseada nos resultados.  Um exemplo disso é a Mancha-Verde. Após alcançar a quarta colocação em 2011, mantendo-se entre as melhores escolas de samba do Grupo Especial pela segunda temporada seguida, a agremiação buscou reforçar-se para continuar na elite. Trocou seu intérprete e também anunciou um novo responsável pelo barracão da escola. Após 11 anos na Acadêmicos do Tucuruvi, Fredy Viana é o novo intérprete que dará voz ao samba-enredo da entidade, enquanto Troy é o novo profissional que cuidará do barracão, visando melhorar ainda mais os resultados alviverdes.

Por outro lado, os maus resultados também obrigam os gestores a reformularem seu time em busca de uma reabilitação. Esse é o caso da Leandro de Itaquera. Após ser rebaixada para o grupo de acesso em 2010, no ano seguinte não conseguiu voltar à elite. Para 2012, a primeira etapa do planejamento é pautada pelos “A Leandro vive um momento conturbado. Devido à 5ª posição no carnaval de 2011, a diretoria de carnaval está sendo revista pelos diretores executivos da escola. Os próximos passos são a contratação do novo carnavalesco e a apresentação do projeto para 2012” afirmou Emerson Nunes de Oliveira, diretor geral de comissão de frente e responsável pela comunicação da escola.

Com resultados convincentes ou desempenhos catastróficos, os simpatizantes das escolas de samba não abandonam suas agremiações. É justamente movidos por essa paixão, que os diretores correm atrás de reforços. E além do vai-vém, a paixão é outra semelhança do futebol com o carnaval. Mas isso, já rende uma outra matéria…