A burocracia e a importação de autos de luxo no Brasil

No que interfere a burocracia imposta pelo governo na importação de marcas de luxo tão aclamadas para o público

Por Julianne Longo

O mercado de automóveis importados no Brasil é um dos mais burocráticos do mundo e da América Latina. Em atual medida, anunciada pela presidente Dilma Rousseff, o desembaraço de peças e carros que era imediato ao chegar aos portos, agora pode demorar até 60 dias. Embora fosse apenas para impor uma dificuldade ao governo argentino, outros países também acabam dançando na história.

Lamborghini Gallardo

 Antes, as mercadorias passavam por um licenciamento automático após as taxas de importação terem sido pagas no país. Agora, é necessário um aviso prévio para a vinda dos produtos e liberação das autoridades responsáveis.

Em pesquisa da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), os fabricantes e revendedores não devem se preocupar, pois a nova regra não interferirá nas vendas do setor. As importações tiveram alta significativa de 97,1% nos últimos meses. Ainda de acordo com a entidade, a previsão de vendas para este ano continua a ser de 165 mil carros importados de marcas associadas.

Mas, o cenário muda com certeza para os empresários do setor. Dependendo da marca importada, o carro já está sujeito ao tempo de fabricação (já que algumas delas possuem carros exclusivos para compradores específicos) e da espera da liberação do governo brasileiro para o produto chegar às mãos do seu cliente final.

No caso de marcas grandes como Ferrari e Lamborghini, a espera pode passar de 1 mês. Para o empresário e dono do grupo Via Itália – representante e importador oficial das marcas no Brasil, Francisco Longo, essa espera atrapalha as vendas, mas não chega a incomodar. Sendo tão importantes para o mercado, as revendas continuam em uma média anual considerada boa, na visão do empresário, até porque o grupo vendeu 41 veículos no ano passado e nove no primeiro trimestre deste ano, com preços entre R$ 1,38 milhão e R$ 1,9 milhão.

As importações independentes, que são feitas por revendedores não oficiais, também não ameaçam a margem de lucro do grupo. As concessionárias oficiais reservam muito mais benefícios para os clientes apaixonados, que acabam optando pelos autos comprados dentro das especificações brasileiras. Para se ter uma idéia, os veículos importados de forma independente não estão preparados para o combustível brasileiro, que têm 25% de álcool. Já os da importadora, são homologados para receber a gasolina nacional, além dos 3 anos de garantia oferecidos para a manutenção de todos os carros.

Além dos empecilhos do governo, as altas taxas também interferem no preço final dos produtos. A áurea mantida por carros como esses são também o custo, seja de compra ou manutenção, a que eles chegam ao consumidor brasileiro. Para o grupo, e mesmo para os clientes, além de um motor potente e design invejável, a compra de um carro assim é definida como um sonho.

Em entrevista exclusiva, Longo fala sobre o atual mercado, margem de vendas e como o governo poderia melhorar a burocracia para a importação desses automóveis. Confira!

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