Cegos tardios e pais de deficientes visuais têm mais dificuldade em lidar com o problema

Por Ananda Almeida, Débora Emílio e Renan Carvalhais

Nem todos os deficientes visuais  são cegos congênitos, isto é, nasceram cegos. Muitos deles já enxergaram um dia, passando pelo trauma de perder um dos sentidos. Na entrevista a seguir, Daniela Santos Coutelle, assessora da Fundação Dorina Nowill para cegos, fala sobre a aceitação da deficiência pelos cegos tardios.

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 Jornalismo Digital: Psicologicamente, como chega na Fundação uma pessoa que ficou cega na adolescência, por exemplo?

Fundação Dorina Nowill: Geralmente, pessoas que um dia já enxergaram e perderam a visão depois de adultos apresentam uma depressão, porque ela sente falta daquilo que ela já teve. Por isso, o primeiro passo (no atendimento da Fundação) é uma entrevista com o assistente social e com a psicóloga. A pessoa e a família são avaliados porque, enquanto ela não aceitar essa deficiência, ela também não vai aceitar que precisa aprender novas coisas. Para ela poder se desenvolver enquanto pessoa cega ou pessoa com baixa visão, ela precisa entender que não vai recuperar a visão e que ela precisa seguir em frente. Então, primeiro vem esse trabalho psicológico, porque ela chega aqui muito deprimida, às vezes ela ficou anos sem sair de casa, ou só sai de casa ao lado de uma pessoa de muita confiança.

JD: E uma pessoa que perdeu a visão bem cedo, ela aceita melhor?

FDN: Quando é uma criança, a situação muda um pouco, porque a criança se adapta com mais facilidade, mas ela sofre uma resistência dos pais, porque nenhum pai imagina que vai ter um filho com deficiência, então eles precisam entender quais são as necessidades , quais são os potenciais dessa criança, para que eles, no dia a dia, não superprotejam, mas ajudem-na a se desenvolver.

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