Projetos voluntários geram desenvolvimento social em Itaquera

Instituições assumem compromisso social e produzem novos pólos culturais na região 

Por Everton Amaro e Raphaela Maia

Educadores divertem crianças carentes em colégio na Zona Leste

Numa região de notável disparidade entre crescimento econômico e desenvolvimento social, iniciativas voluntárias mostram que fazem a diferença. Símbolo da Zona Leste, o bairro de Itaquera é um grande conhecido dos paulistanos. Cresce através de suas principais vias, Nova Trabalhadores e Radial Leste, mas continua enfrentando problemas com o alto índice de criminalidade.

 Segundo a Secretária de Segurança Pública de São Paulo, a Zona Leste) só no ano passado, o bairro teve aumento de 17,65% no número de homicídios. Para mudar a imagem da região, profissionais dividem a rotina apertada com projetos e oficinas que visam dar novas perspectivas para os jovens. São cidadãos que se dedicam parte do tempo para ministrar aulas de música, dança e arte em geral. 

Monica Regina Martins é exemplo desta ação. A pedagoga deu início a um programa que inclui aulas de hidroginástica, futebol, informática e dança no colégio em que é diretora, o Curso Ideal. “O Escola que integra é um projeto inspirado no CEO, que oferece diversas atividades culturais à comunidade carente”, explica. “Nossa meta é ter cada vez mais atividades culturais gratuitas”, diz.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Prefeitura de São Paulo, Itaquera conta com aproximadamente 191.494 habitantes, sendo que 171.188 deles são estudantes. O intuito dos voluntários é fazer com que estes jovens participem mais ativamente da sociedade.

Salão de igreja utilizado para ensinar aulas de música para jovens, em Itaquera

“A cultura é a chave do crescimento”, afirma o teólogo Claudio Domingues, que comanda um projeto musical dentro de sua igreja. Ele uniu dois professores que, hoje, ensinam canto, guitarra, violão, bateria e teclado para um grupo de jovens que não pára de crescer.

“Vejo Itaquera como um bairro formado por um público que, apesar de não possuir elevado poder aquisitivo,está aberto às atividades culturais”, afirma o diretor do jornal Impacto Leste, Sidney da Silva, que tem relatado as boas novas no veículo. 

O jornalista acredita que os cidadãos são receptivos às iniciativas voluntárias. “Isto pode ser notado em locais como a Oficina Cultural Alfredo Volpi, o Parque e o Planetário do Carmo, que sempre reúnem muitos moradores carentes em sua programação”.