O desenrolar e as conquistas da “Cena Mangue”

Por  Janderson Angelim, Fabio Bardella e   Leandro Souza

O Mangue Beat foi além do objetivo escrito em seu manifesto e pedra fundamental para a divulgação de sua estética, ideologia e musicalidade nos veículos de comunicação – uma vez que o seu manifesto foi escrito e apresentado inicialmente como um release destinado à imprensa

Toca Ogan - Foto Pamella Gachido

O que surgiu como uma tentativa de movimentar a cena cultural da cidade priorizando a produção de artistas locais caracterizados por uma espécie de hibridismo musical conquistou espaço e respaldo entre a crítica e o grande mercado da música.

O Mangue transformou a cena musical pernambucana e requalificou o estado como vanguardista na área cultural, rica em manifestações caracterizadas pela autenticidade e inventividade artística.

O professor de comunicação da PUC-SP e doutor em Comunicação com tese sobre hibridismos musicais de Chico Science e Nação Zumbi, Herom Vargas, afirma que o Mangue foi um processo de produção e divulgação de novas criações em música pop – com ecos no cinema, moda, artes plásticas, dança e literatura – ao mesmo tempo em que recuperou as tradições musicais de Pernambuco. “Esse movimento se pautou tanto na busca desses ritmos e seus produtores populares, como também na construção de formas de divulgação dos trabalhos dos jovens músicos e dos artistas tradicionais”, afirma Vargas.

Leia o Manifesto que lançou o Movimento!
Lobão e Edgard Scandurra reconhecem a importãncia do Mangue Beat!
De acordo com ele uma das ideias centrais do movimento era “antenar” os novos produtos da cultura urbana com os desenvolvimentos mais recentes da cultura pop, a tecnologia eletrônico-digital e as formas da cultura local.

Como consequência, ocorreu uma radical equiparação da produção musical pop recifense com o que havia de mais criativo no âmbito internacional.

O Movimento articulado em mesas de bar e festas nos guetos das cidades do Recife e Olinda conseguiu reinserir a cultura pernambucana no cenário cultural do país, descentralizar, por um considerável período, o foco de atenção da indústria cultural (gravadoras, produtoras, artistas e mídia), renovar a cena musical pop do Brasil e unir artes plásticas, cinema, música de raiz, cultura urbana e estilos variados da música pop contemporânea.

“É incrível como a MTV, que era recém-chegada ao Brasil, abriu as portas para Chico. Lembro de vários especiais e coberturas de shows ao vivo na época. Isso fez a gente perceber que estávamos participando e criando algo novo”, diz Ana Sousa.

Em sua tese de doutorado em Musicologia (Maracatu Atômico- 2002)”, Philip Galinsky afirma que “os músicos pernambucanos de diversas origens estavam juntos recuperando – e remodelando – aspectos de suas tradições locais enquanto incluíam a tecnologia e a cultura global […] e como específicos artistas populares e movimentos comprometiam-se com a herança local e a globalização na sua construção de ideologias e identidades renovadas”.

Para o pesquisador Daniel Sharp, “o que os músicos recifenses têm em comum é um senso de manejar a complicada história do Nordeste em face da crescente globalização econômica e do avanço tecnológico mundo afora”.

O Mangue, sem dúvida foi um fenômeno catapultado à mídia e ao público consumidor de arte por meio da sonoridade, autenticidade e postura de Chico de Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. Reduzir ou generalizar este fenômeno como movimento musical e somente isto, é desconhecer que existem linhas que constituem a articulação e união de mentes, corações e ações de todos os artistas, intelectuais e ativistas que transformaram o cenário cultural de Pernambuco .

O Mangue Beat foi o catalisador das mentes e talentos artísticos desejosos pela transformação de uma realidade por meio das expressões artísticas. Por rios, pontes e overdrives os mangue boys e manguegirls mudaram uma cidade e falaram de sua cultura de uma forma moderna e interessante, como escreveu e cantou Chico Science, deram “um passo à frente e não estavam mais no mesmo lugar”.

Documentários e estudos sobre o mangue se espalham pelo Mundo!

Veja também os video clipes das músicas “A cidade” e “ Manguetown!”

Chico Science toca, canta e fala  sobre batuques, Zumbi e a música de sua banda!

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Conheça a Rota do Mangue Beat.