O Circo no Beco

Por Priscilla Fernandes e Vanessa Parolin

Por meio do incentivo de um grupo de jovens moradores e freqüentadores da Vila Madalena, bairro de São Paulo que ficou famoso por abrigar os bares boêmios da cidade, o Circo no Beco nasceu em 2003 com o intuito de ser um espaço, no qual as pessoas poderiam se expressar livremente. Com o conceito de valorizar a arte de rua, os trabalhos apresentados utilizam as técnicas circenses como: malabares, acrobacias, trapézio, perna de pau, monociclos, entre outras. O convite é aberto a todos que passam por ali e ficam curiosos ao ver uma tenda branca com pessoas de todas as partes que se interessam em aprender ou mostrar seus talentos artísticos. Confira abaixo a entrevista que realizamos com Eduardo (mais conhecido como Du do Circo), um dos organizadores do Circo no Beco.

Como surgiu o Circo no Beco?

Du: “Nós estávamos procurando um espaço para os malabaristas treinarem e também oferecer um palco para os artistas se apresentarem. Nosso intuito era trazer a cultura do chapéu e da arte de rua, que é muito fraca em São Paulo.”

Como o Circo no Beco se mantém?

Du: “Não temos nem um tipo de apoio financeiro. Passamos o chapéu durante os espetáculos e com o dinheiro que arrecadamos compramos fio, luz, som… Nós nos mantemos há sete anos apenas com o dinheiro do chapéu.”

Onde as pessoas podem encontrar o Circo no Beco?

Du: “O Circo no Beco em si é aqui, na Praça Aprendiz das Letras, e tem um beco que é pra dentro da praça (Beco do Projeto Cidade Escola Aprendiz, na Vila Madalena). Quando tem um espetáculo, ele começa na praça e depois vai pra dentro do beco. Nós procuramos fazer essa mudança de espaços durante as apresentações.”

Quais tipos de espetáculos são apresentados?

Du: “Não são espetáculos formais, nós montamos espetáculos a cada cinco meses com pessoas que se interessam em trabalhar conosco ou que querem mostrar o número que estão produzindo. Há também aqueles que estão crescendo artisticamente e precisam de um palco para elaborar o seu trabalho e querem sentir a reação do público. Nós oferecemos o espaço e os artistas se apresentam de graça. O dinheiro do chapéu não fica para eles, isso é entendido, fica para a organização fazer a manutenção do projeto.”

Como são organizados os encontros?

Du: “Todas as segundas-feiras temos um encontro de malabaristas, aonde as pessoas vêm para treinar. Sempre um ensina o outro, é uma troca de experiências. De vez em quando temos uma oficina, alguma aula, mas não á nada regular. Nem sempre a organização do Circo no Beco está no palco. Muitas vezes estamos operando a luz, o som, montando ou cuidando dos artistas e também apresentando, mas nem sempre porque senão a cara fica batida.”

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