Meninas em pé

O Povo em Pé surgiu em 2004 na cidade de São Paulo, reunindo artistas que se identificam com o trabalho de interpretação baseado na fisicalidade e no desenvolvimento do ator-criador no contexto contemporâneo. A diretora Cristiane Zuan Esteves e as atrizes Ana Luiza Leão, Graziela Mantoanelli, Manuela Afonso, Paula Lopez  e Paula Possani formam o núcleo permanente do grupo, dedicado à criação e treinamento regular. Desde 2005, o grupo realiza série de intervenções nas ruas de São Paulo com o objetivo de questionar a relação do homem com o cotidiano nas grandes cidades.

Em poucos meses de trabalho, as integrantes começaram idealizaram um dos principais projetos da trupe: o espetáculo Aqui Dentro Aqui Fora. Aprendizes de atores se inscreveram no projeto e acompanharam o processo de criação dos trabalhos, fazendo uma espécie de experimento-espetáculo em espaço aberto ao público. Profissionais das áreas de direção, produção, iluminação e música, deram apoio aos aspirantes e ao grupo. Após algumas apresentações O Povo em Pé foi contemplado com a Lei Municipal de Fomento ao Teatro e outras intervenções e espetáculos foram desenvolvidos na cidade.

Em 2008, o grupo aplicou seus métodos de intervenção em outras cidades: Curitiba e Zagreb, na Croácia. Um deles foi o espetáculo chamado de Qualquer Sofá, no qual as integrantes fazem uma peça teatral acompanhada de poemas e coreografias sobre o cotidiano da cidade. Utilizando um sofá branco e folhas de papel com fortes mensagens, o grupo narra, dança e cria imagens sobre situações que podem causar perplexidade no público.

O Povo em Pé também produziu uma intervenção a pedido do SESC Consolação para o Dia Mundial da Saúde.  As integrantes criaram personagens que se comportavam como doutores do sentimento, espalhando mensagens de incentivo para a população. A ideia deu tanto resultado que os personagens desenvolvidos passaram a fazer parte de outros espetáculos do grupo.

Com sede fixa na Casa das Caldeiras, porém sem horário ou programação recorrente, as meninas do O Povo em Pé, estimulam a reflexão e levam mais descontração para os paulistanos. Abaixo, confira a entrevista feita com Cristiane Zuan Esteves, a fundadora do grupo.

Stephanie Kohn – Como surgiu a idéia de formar O Povo em Pé?

Cristiane Zuan O grupo foi criado por mim, porque eu tinha vontade de fazer um trabalho que fosse para rua. A princípio era pegar a dança, o que eu chamo de dança do cotidiano, ou seja, dinâmicas existentes na cidade de trânsito, de ocupação de espaços, que se configuram numa dança. A minha intenção era chamar a atenção para essas coisas que já aconteciam na cidade, só que para gente acaba passando despercebido.  Então, a tentativa era de revelar um conteúdo poético que existe na vida cotidiana. Esse foi o conceito que orientou e ainda orienta o grupo.

SK – Como é o esquema de trabalho de vocês? Há um único formato de intervenção ou espetáculo?

CZ A gente faz espetáculo também, mas somos focadas em intervenção em espaços abertos, porque o grupo nasceu com o intuito de fazer isso. Mas, como todas as integrantes são atrizes, acabamos tendo o desejo de fazer espetáculos. O bacana foi que alguns espaços nos chamaram para apresentações e conseguimos adicionar mais uma atividade no grupo, os espetáculos fechados. O interessante é que vários espetáculos usam das estratégias que descobrimos fazendo as intervenções nas ruas e o contrário acontece também.

SK – O que você gosta mais das intervenções?

CZ O que me fascina é que tudo faz parte. O espectador  faz parte da composição da cena, é integrante do grupo algumas horas, uni-se ao ato, e o mais importante é que as intervenções são feitas para eles e com eles. Isso é fascinante nas intervenções, e que, eventualmente, podem ser levados aos espetáculos fechados também, arrancando outro tipo de reação do público.

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