Dia de trabalho virou projeto de integração social no Jardim Ângela

Por Samara Teixeira

Sempre que pensamos em projetos sociais profissionalizantes caímos no senso comum das profissões que envolvem o trabalho braçal, obviamente não podemos desmerecer estes operários que constroem nossas salas de aula, nossas salas de reuniões nas empresas, as lojas as quais compramos nossas roupas, os estádios que gritamos nosso tão forte gol e, também, os templos os quais dialogamos nossa fé.

Para não cair no piegas busquei uma ONG cujo propósito de criação veio de um pedido simples e sincero, da vontade de conhecer coisas diferentes, coisas muitas vezes não palpáveis para uma meninada que vivia no até então bairro mais perigoso do mundo, o Jardim Ângela.

O projeto da Ong Papel Jornal começou quando Marlene Bergamo – fotógrafa da Folha de São Paulo – fez uma matéria sobre jovens ex-presidiários quando ela fotografou um dos jovens ele perguntou se ela não poderia ensiná-lo a fotografar, Marlene disse que sim e logo incentivou o jovem a chamar um grupo de amigos para as aulas de fotografia.

Marlene passou a ministrar as aulas e logo veio a idéia de criar um jornal, um jornal criado pelos próprios jovens, um jornal de periferia para a periferia, agregando a eles o desenvolvimento comunicativo e interpessoal. Ela junto com outros jornalistas fundou a Papel Jornal que deu a oportunidade de ensinar aos jovens, entre 15 e 20 anos, oficinas de fotojornalismo, reportagem com texto e desenho gráfico.

A Entidade Associação de Incentivo às Comunicações Papel Jornal surgiu em 1999, e contou com jornalistas como Armando Antenore, Joana Brasileiro, Laura Capriglione, Marilene Felinto, Paulo Farah os quais ministraram aulas aos jovens e trouxeram seus conhecimentos para o incentivo da comunidade no comunicar articulado e de efeito.

Para manter a Papel Jornal em atividade foram patrocinadores a Petrobrás, a Bovespa social e ambiental, Instituto Ayrton Senna, Máquina da notícia, Moradia e cidadania, Cese, Revista Ocas, Revista simples entre outros. Estes parceiros contribuíram com as tiragens dos jornais realizados, das revistas experimentais e, também, contribuíram com as oficinas da cidadania, como o Cine Becos.

A autenticidade do projeto marcou a vida destes jovens que viram e aprenderam que com a comunicação tudo se torna possível, escrever sobre sua rotina, sua cultura, e sua realidade é um verdadeiro incentivo a buscar mudanças em suas próprias vidas, o acreditar se torna mais forte quando se encontra o equilíbrio entre o querer e o poder.

O intuito do projeto nunca foi criar empregabilidade e sim, criar seres críticos de sua própria realidade, com isso, muitos jovens passaram a acreditar em sua capacidade e fugiram do fatalismo que muitos jovens insistem em cair, sendo que, muitos entraram em universidades e seguiram a profissão. Por motivos organizacionais e por desarticulação o projeto foi encerrado em novembro de 2009, mas, deixou um legado de capacitação grande para os jovens do Jardim Ângela, que aprenderam com a força da palavra a dizer o que sentem e o que desejam.

 

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