“Bicicleta me faz sentir parte do ambiente”,diz ciclista

Por Virginia Toledo e Guilherme Michelini

O produto de vídeo Felipe Vilarta, 29 anos,  relatou em entrevista exclusiva porque escolheu a bicicleta como alternativa para o trasnporte.

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SP Pedalando: Por que você decidiu usar a bicicleta ao invés do carro?

Felipe Vilarta: Pois enxerguei na bicicleta uma forma de locomoção que me trazia diversos benefícios: não polui, exercícios físicos, deslocamento rápido (se comparado com o trânsito parado de São Paulo), barato, me mantem em forma, fácil de estacionar e uma forma agradável de me locomover. Eu adoro o ambiente outdoor, ar livre. Andar de bicicleta me faz sentir parte do ambiente por onde passo, existe uma interação. De carro a sensação que tenho é que estou numa bolha, onde posso me alienar de tudo que acontece à minha volta.

SPP: O que ou com que você acredita que esteja contribuindo, seja pela sua saúde, pelo ambiente e pela cidade?

FV: Acredito que a bicicleta pode contribuir para a saúde, fisica e mental. Física por motivos óbvios, você se exercita, movimenta o corpo.

Mental pois para mim é uma terapia, você precisa estar 100% naquilo, é uma mistura de sensações. Os sentidos ficam aguçados, a percepção do ambiente a sua volta fica mais rica, é o vento no rosto, é o corpo em movimento, cheiros, é a vibração do terreno, carros, pessoas, lugares, é a sensação de estar vivo!! É claro que existe um certo perigo de circular no transito e São Paulo mas essa vivencia também te deixa mais “esperto”. Exercícios físicos liberam endorfina, as pessoas ficam mais felizes e isso as torna melhores.

Para o meio ambiente é maravilhoso, não polui! Não utiliza nenhuma fonte de combustível a não ser a mecânica do corpo. Para a cidade contribui para a melhor fluidez do trânsito, para quem não pode abrir mão do carro ou transporte público. 

SPP: Com que frequência você usa a bicicleta? Mais a trabalho ou a passeio?

FV: Posso dizer que pelo menos 2 dias da semana vou trabalhar de bike. Mas acho que ainda utilizo mais a passeio. Vou trabalhar de bicicleta quando sei que vou ficar no escritório o dia todo. Quando tenho reunião em clientes, é complicado chegar todo suado, então nesses dias vou trabalhar de carro. Mas em casa temos apenas um carro, e geralmente dou preferência para que a Marcela, minha mulher, fique com ele. Eu me viro bem de bike, ou de transporte público. Em muitos países onde a bicicleta tem uma presença mais forte, é normal uma pessoa ir a uma reunião de bicicleta. No Brasil não é muito bem visto chegar no cliente de bicicleta, um pouco suado, enfim… (risos).

 SPP: O que a administração pública pode fazer para a melhoria de condições aos ciclistas e afins?

FV: Acho que ainda temos 2 grandes vertentes para melhorar:

1 – É necessário adequar a infra estrutura das cidades para comportar um contingente de bicicletas. Implantação de bicicletários, melhorar as vias de circulação, ciclovias, permitir o acesso de bicicletas em locais públicos como metrô (hoje só é permitido aos finais de semana), adaptar suportes de bicicletas em ônibus, legislação.

2 – Mas acho que ainda o mais importante é a questão da EDUCAÇÃO. Não adianta ter tudo isso que citei acima, se bicicletários forem destruídos, se as leis de trânsito forem ignoradas, motoristas não respeitarem os ciclistas e vice-versa. É uma questão de mudança cultural.

É necessário instruir, promover eventos, criar oportunidades para que cada vez mais a bicicleta possa ser vista e reconhecida como um meio de transporte também para grandes centros urbanos e não só no interior ou zonas rurais.

Comecei a utilizar a bicicleta como meio de transrte quando estava no colegial, há 12 anos. Morava na Vila Olímpia e estudava em Moema.

Desde aquela época até hoje, acho que já evoluimos em muitos aspectos. Isso inclui também minha postura (educação). Passei a respeitar as leis de trânsito, não só quando estou de carro, mas também quando estou pilotando a magrela. Sempre uso o capacete, sinalizo quando faço uma conversão, não ando em calçadas, dentre outras coisas.

É claro que ainda temos muita coisa para melhorar, mas acho que estamos no caminho certo, ou melhor, na ciclovia certa.

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