Em busca do primeiro emprego

Por Danielle Santana

Jovens entre 15 e 21 anos recorrem ao programa de preparação para o trabalho

A 42 quilômetros da capital, situado na chamada Grande São Paulo, está o município de Embu-Guaçu, com aproximadamente 63 mil habitantes – segundo o Censo 2009 -, no qual a pouca oferta de emprego leva muitos jovens e adultos a se deslocarem para as cidades mais próximas, como Itapecerica da Serra, Taboão da Serra, e a zona sul de São Paulo. Em conseqüência dos processos seletivos cada vez mais específicos, esses jovens buscam em cursos básicos e diferenciados uma oportunidade de se inserirem no mercado de trabalho, como é o caso do Programa de Preparação para o Trabalho (PPT), da ONG Ação Comunitária.

Para alcançar esses jovens de outros municípios, a Ação Comunitária faz parcerias com institutos e ONGs locais sem fins lucrativos, como a Instituição Movimento Renovador Paulo VI, que oferece o PPT com duração de 5 meses, de segunda a sexta, como extensão da atividade escolar. De acordo com a ONG, o programa visa a empregabilidade e inclusão social de jovens entre 15 e 21 anos. “Eu já estou no terceiro colegial e quero ter uma noção do que pretendo seguir futuramente, o PPT te dá essa ajuda”, afirma a aluna Jéssica Conceição da Silva Souza, 16 anos, faltando um mês para a conclusão do curso.

Nem todos os alunos de PPT buscam o primeiro emprego, tanto pelo pouco apoio familiar devido a idade, quanto pelo que acreditam ser mais importante para seu futuro profissional. De acordo com o professor Flávio Gomez, 32 anos, “boa parte deles tem perfil e desejo de ingressar no mercado de trabalho, mas muitos têm seu projeto de vida, como fazer outros cursos”.

A última pesquisa realizada pelo SAMIS – Sistema de Avaliação de Impactos Sociais – foi em 2006 e aponta que 89% dos concluintes buscam uma vaga e 73% estão em busca de aperfeiçoamento em informática básica. No próprio Instituto Movimento Renovador, a busca posterior aos cursos como informática e línguas é grande, são mais de 100 alunos por semestre em informática básica e cerca de 50 em espanhol e inglês. “Depois que eu sair do PPT, pretendo me especializar mais e fazer idiomas”, afirma o aluno José Henrique Lopes de Lima, 15 anos.

No entanto, para os que pretendem trabalhar e continuar os demais cursos básicos, a Ação Comunitária oferece encaminhamento profissional, assim “os jovens que passaram pelo programa podem ser repassados para o mercado de trabalho”, afirma o professor Flávio Gomez. Ainda de acordo com o SAMIS, 50% conseguem o primeiro emprego, mesmo que não seja o que exatamente gostariam de fazer, “o primeiro trabalho que aparece nem sempre é o que a gente quer”, conclui José Henrique.

 

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