Vida de jovens carentes inspira filme e projeto social

por Cibelle Santos e Thiago Ghougassian

As praias de Santos, o escritor Plínio Marcos e o cinema. A combinação desses três fatores deu origem ao filme Querô e consequentemente á um projeto social que vai muito além das telonas.

Tudo começou quando o psicólogo e cineasta Carlos Cortez era criança. As viagens para a Baixada Santista lhe encantavam a tal ponto que  se tornaram fonte de inspiração e palco para o que viria á produzir quando virasse adulto. Apaixonado pela literatura, Cortez se inspirou no romance de Plínio Marcos, Uma Reportagem Maldita – Querô, publicado em 1976, para produzir algo inusitado e que iria mudar os rumos de sua profissão. A obra conta a história de Querô, um menino que morava nas “quebradas” de Santos  e que passava por situações humilhantes e perigosas, traduzindo para a literatura o que realmente acontecia na cidade naquela época. Cortez então resolveu adaptar a obra ganhadora de Melhor Romance pela Associação de Críticos de Arte para o cinema, porém de um modo diferente. Não quis filmar com atores conhecidos e muito menos com atores propriamente ditos. A idéia era rodar o longa com meninos que viviam situação parecida do protagonista do livro, afim de criar proximidade e veracidade na história.

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O filme Querô teve como atores 200 pessoas que viviam nas regiões de Santos, onde a pobreza e a miséria estavam mais concentradas. Dessa forma, o longa se tornou realidade e contou a história da vida difícil de um menino de rua chamado Querô, filho de prostituta e abandonado pela sociedade.

“Trabalhar com cinema mudou a cabeça dos jovens, eles ficaram mais inquietos”, é o que afirma o produtor Carlos Cortez em entrevista ao site Jornalismo Comunitário, da Folha de São Paulo. Após o sucesso e a boa recepção da produção, o cineasta, junto a UNICEF, Gullane Filmes (produtora do longa de Carlos Cortez) e outros parceiros locais, se empenharam na criação das Oficinas Querô – Empreendedorismo e Cidadania através do Cinema, que têm o objetivo de ensinar jovens de 15 a 24 anos a produzir, atuar e criar seus próprios vídeos e filmagens. Além disso, o projeto auxilia os alunos com cestas básicas, apoio psicológico e profissional.

Ao contrário do que muitos pensam, as Oficinas Querô não formam atores. A idéia é formar profissionais capazes de produzir filmes, seja como diretor, contra-regra, roteirista, figurinista, cinegrafista e outras ocupações relacionadas aos bastidores de uma produção cinematográfica. Gil Moraes, de 18 anos, participa das oficinas há dois anos e diz que já sonha projetos futuros. ” Eu estava envolvido com coisas que não era boas até minha mãe me levar à Querô. Hoje, já planejo em fazer mais cursos e dirigir um longa independente”.

As Oficinas Querô ganharam tanto reconhecimento e destaque, que suas produções chegaram a festivais e renderam muitos prêmios, o que fez os coordenadores do projeto ampliarem suas unidades de Santos e região para Diadema e São Paulo.

Além disso, a primeira turma das Oficinas Querô fizeram surgir a Querô Filmes, como afirma a bacharel em Relações Internacionais, Fernanda Lanza. ” Esses primeiros alunos depois de influenciarem no surgimento do nosso selo independente, foram emcaminhados para grandes produtoras como é o caso da Gullane Filmes”.

Atualmente, os integrantes da Querô iniciam uma nova jornada de experiências: eles começam á rodar em junho sua primeira animação que promete ser recheada de emoções, humor e muita realidade.

Imagem de Amostra do You Tube

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